Eagle Claw Kung Fu

Eagle Claw Kung Fu - Juiz de Fora, MG
Si Fu Clodoaldo S. Castro and Si Mo Cida




 

Document about Martial Art

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Arte Marcial: caminho para vencer a si mesmo

A busca da harmonia e do autoaprimoramento. Essas são metas recorrentes da filosofia chinesa, que possui seus pilares fundamentados nas ideias do Budismo, do Confucionismo e do Taoísmo. O princípio de que toda a energia flui infinitamente, formando um caminho circular – a energia da vida - pode ser observado em diversas atividades chinesas: na culinária, na medicina e também nas artes marciais. Esse é o movimento do Yin Yang – o infinito movimento da mudança entre oposto e complementar.

A harmonia está no equilíbrio, e é através dessa harmonia que é possível alcançar o autoaprimoramento, conhecer o próprio ser e encontrar o Tao – o caminho. Essa energia é um conceito fundamental na filosofia chinesa, e é conhecida como Chi. O Chi é a fonte da nossa energia diária e é considerado como a energia vital do ser. Existem práticas que estão diretamente relacionadas ao desenvolvimento e a aprimoração dessa energia: é o caso do Tai Chi Chuan, das técnicas conhecidas como Chi Kung e também do Kung Fu. O terapeuta holístico Armando Falconi, fundador do Centro de Cultura Oriente Ocidente, aponta: “A filosofia chinesa é uma filosofia holística. Ela considera o todo. O ser e o ambiente, eles não estão separados."

O Kung Fu é uma milenar arte marcial chinesa que se baseia nos movimentos dos animais para realização de suas técnicas e golpes. Existem inúmeros estilos, cada um com sua especificidade – dos movimentos rápidos e fatais da Águia à fúria e energia do Tigre. “As artes marciais foram baseadas nesse círculo da vida. A ideia dessas artes é aproveitar o potencial holus, a integridade do corpo”, revela Falconi. Além disso, a teoria dos 5 elementos e o princípio do Yin Yang estão calcados na base do Kung Fu.

  • O símbolo que representa o conceito do Yin Yang - o Taijitu

A influência que a filosofia das religiões orientais exerce na arte marcial está diretamente relacionada a como e onde ela se desenvolveu. O Kung Fu foi treinado inicialmente em mosteiros, nos quais os monges se dedicavam aos estudos de sua religião – os monges shaolin seguindo principalmente o budismo e os monges da Montanha Wudang o Taoísmo. Portanto os valores de honestidade, honra, autocontrole, autoaperfeiçoamento e respeito são aspectos essenciais no ensino e na prática do Kung Fu.

Mas é importante destacar que Kung Fu não é um termo específico para se falar da arte marcial. Na verdade, Kung Fu significa “Estudo”, “Virtude” o que pode ser entendido como “Trabalho árduo para se adquirir habilidade”. O termo correto para a arte marcial chinesa é Wushu no idioma Mandarim, tanto para se referir à sua versão tradicional quanto moderna.

A prática do Kung Fu

“A arte marcial consiste em usar a força do espírito, ao invés do espírito da força”, esclarece o professor Clodoaldo Castro, 39 anos, que pratica o Kung Fu há 25 anos. Hoje ele é Shifu – termo utilizado para se referir ao mestre ou responsável pela escola dentro da arte marcial chinesa e que quer dizer “Pai mestre” - do sistema Eagle Claw ( Garra de Águia ), lecionando no Tao Centro de Cultura Oriental, há 15 anos.

Bruno Leão Guimarães, 23 anos, praticante de Kung Fu há três anos e meio, e aluno do Shifu Clodoaldo, ressalta que essa atividade foi importante na sua vida. “Retomar o caminho das artes marciais foi bom, pois além daquilo que se espera de uma arte marcial – a parte física – o Kung Fu restabeleceu a minha disciplina e me proporcionou um maior equilíbrio”. A declaração de Bruno ilustra como os treinamentos não buscam somente o desenvolvimento físico, mas também o mental.

“Na escola se pretende desenvolver, além da parte técnica e física, a saúde de forma integral. Isso inclui desde a meditação até a transmissão de ideias que abrangem alimentação e uma consciência ecológica”, afirma o Shifu.

“O que mais tenho colocado em prática é o desapego a coisas transitórias da vida, a busca do equilíbrio interno e externo, além da paciência e do autocontrole”, declara Bruno. Mas esse não é um caminho fácil. “Assim como tudo que exige disciplina, colocar esses conceitos em prática é complicado. Não é algo que simplesmente acontece de um dia para o outro. Exige muita determinação e capacidade de aprender com seus erros”, conclui.

O Kung Fu não é uma arte voltada para subjugar o oponente, nela é preciso primeiramente se entender para depois compreender o adversário. Segundo Armando Falconi, quando existe o autoconhecimento a capacidade de se evitar um eventual combate é maior. “Tudo é voltado para gerar paz na arte marcial chinesa. Não se pretende gerar poder externo, na verdade, se busca o poder interno”.

O Shifu Clodoaldo acrescenta. “O simbolismo verdadeiro da arte marcial é matar o ego. Isso inclui a capacidade de se auto-observar e colocar em prática as virtudes marcias, o Wu Te. Sendo assim, o Kung Fu é a arte de vencer a si mesmo”.

O lado esportivo da arte e seus benefícios

O Kung Fu, assim como as diversas artes marciais, também possui o seu lado esportivo. Existem vários campeonatos ao redor do Brasil e do mundo, e para se obter sucesso requer muita dedicação. O Shifu Clodoaldo Castro e seu aluno Lucas Maciel conquistaram três medalhas no 5° Campeonato Internacional de Hong Kong que ocorreu em agosto, sendo que Clodoaldo conseguiu duas medalhas de ouro e Lucas alcançou a de prata.

Mesmo com o êxito alcançado internacionalmente Clodoaldo afirma que a sua intenção não é voltada para a competição. “A idéia não é forçar ou incentivar os alunos a competirem. Eu mesmo não foco nesse tipo de coisa”.

No entanto, Clodoaldo afirma que esse tipo de evento tem seus benefícios no aspecto psicológico. “A competição exige do aluno a concentração. Ela também trabalha com a insegurança, uma vez que ele vai estar se expondo aos outros”. Além disso, existe a oportunidade dos alunos se sociabilizarem. “O aluno pode conhecer formas de outros estilos e, no caso de competições internacionais, acontece um intercâmbio. Com isso o aluno pode ter um desenvolvimento pessoal e cultural”.